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5:32 am

Por Rissellie zani •
3.5.18


Eu penso naquele dia toda manhã, bem no horário que aconteceu. 5 anos atrás, assim que o sol se colocou no céu, você estava na calçada em frente à minha antiga casa. Do seu lado uma mala, nas suas costas uma mochila cheia de compartimentos e lotada com a sua vida. Eu sabia, desde seu último aniversário - que acontecera meses antes - que esse dia chegaria.

Desde criança nós havíamos planejado o nosso futuro juntos, qual curso na faculdade, qual viagem de férias, qual brinquedo pedir para o papai noel. Eu queria viajar o mundo e você tinha medo de ir no Rio de Janeiro com a minha família ver os fogos da virada em Copacabana, quem diria que mudaríamos de rota? Drasticamente fui puxada pra baixo pelas crises de ansiedade que começaram após a morte da minha mãe, nada mais de Rio ou de fogos. Eu saia cada vez menos e cada vez mais você encontrava o seu verdadeiro ser. Óbvio que a culpa disso não foi sua, falei pra você na sua festa cheia de gente, em meio ao barulho, em meio a bebida e drogas.

Naquele dia eu estava puta comigo mesma, essas merdas de crises não deixaram eu aproveitar o ensino médio contigo, eu bebi e usei coisas que não sabia nem o nome. Dancei com todo mundo, inclusive o idiota do Marcos, ele tentou me beijar a força e adivinha quem apareceu do nada pra dar um soco nele e me carregar pro jardim dos fundos? Falei tudo, você também. Todos os seus planos foram compartilhados durante a madrugada, no final os dois estavam cansados de tudo.

E aqui estou, formada, em outro país, com sessões no terapeuta marcados até o final do ano e lembrando de você. 

Naquela época eu não tinha instagram ou facebook, por isso trocamos alguns e-mails depois do seu primeiro voo. Sabíamos que resgatar o passado seria impossível então deixamos escapar o que tínhamos entre o tempo, no seu último e-mail você descreveu como era a Índia e como a vida de um mochileiro pode ser miserável e maravilhoso. No final você perguntou como eu estava e em uma resposta nunca  enviada eu coloquei tudo o que tinha no meu peito.

Poderia te procurar na internet, mas quem disse que eu tenho coragem? Decidi recomeçar, tentar deixar o futuro que eu sempre sonhei contigo pra trás e criar um novo, o máximo que eu me permito é tocar as nossas lembranças uma vez por ano, no horário que aconteceu a nossa despedida.


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