Aleatório #01

22.6.14





Já faz meia-hora que eu estou esperando aqui, sentada em um sofá moderno numa sala antiga, o chão de mármore e o lustre cheio de cristais me deixaram impressionadas. Agora só estou entediada. A recepcionista (uma senhorinha de 60 anos muito fofa) ficou com a minha bolsa e celular.
-Não quer os meus sapatos também senhora?
-Com eles você pode entrar mocinha.
As paredes cor de baunilha estavam me deixando com fome, bem que minha mãe falou para eu comer algo antes de sair de casa, mas eu tenho certeza que tem um pacote de bolacha na minha mochi... ok, esquece.
''Senhorita Manuela Alcântara, por favor, comparecer à sala 45 no quarto andar.''
Apertei o botão do elevador e esperei, atrás de mim a porta automática abriu e um garoto, que parece ser um pouco mais velho que eu, entrou praticamente correndo e apertou ''subir'', o mesmo que eu havia apertado. Será que ele não percebeu que já estava acesso?
Agora vamos aos detalhes, dele, não da cena.
Um palmo maior do que eu, sendo que a pessoa que aqui descreve já é relativamente alta para os padrões brasileiros, seus cabelos meio cacheados estão bagunçados de um jeito sexy - existe isso? - o castanho deles combina com os olhos. Ele me faz lembrar algum modelo que eu vi na última campanha da Burberry, com a calça jeans meio apertada, camisa de flanela cinza e um casaco preto aberto.
O elevador não é espaçoso, se couber três pessoas aqui é muito, atrás de nós um grande espelho e a música de fundo, eu conheço essa música!
... Crowling back to you  ♪
-Qual andar?
-Acho que é Arctic Monkeys.
-Desculpe, os andares são em números não nome de bandas. - O modelo da Burberry falou.
-Andar quatro, quero dizer, quarto andar por favor.
-O mesmo que o meu.
-Que bom.- Saiu automaticamente.
Reparei que havia um sorriso se formando quando a porta da caixa de metal que eu odeio se abriu.
Caminhei em direção à sala 45, para minha surpresa ele segua logo atrás de mim.
-Acho que vamos para a mesma sala.
-Demorou um pouco para descobrir gênio.
Que grosso! Eu não tenho culpa se ele está com raiva de algo, ou alguma pessoa, não precisava descontar em mim.
-Mais respeito, eu não te conheço e nem quero conhecer, mas isso não significa que você pode ser grosso comigo.
-Vamos logo, ele está esperando a gente Manuela. -Falou isso e bateu na porta.
-Calma aí, como você sabe o meu...
quando eu ia terminar minha sentença, um senho alto e moreno abriu a porta
-Olá Manuela, que bom revê-lo Pedro! - Então esse é o nome do modelo da Burberry bad boy (desculpe, mas eu tive que apelidá-lo). - Que bom que chegaram! Acabei de preparar um chá de limão, entrem.
Dito isso ele fez menção para entrarmos, eu fui direto ao sofá, logo atrás do Pedro. Já que ele pode sentar sem a permissão do dono eu também posso.
A sala é gigante, muito diferente do térreo, nas paredes várias obras de arte. No canto esquerdo uma escultura em tamanho real de um anjo, toda a decoração era inspirada no século 19 ou 20. Atrás do sofá duas estantes ceias de clássicos e outros livros em diferentes idiomas. Realmente eu gostei daqui.
-Pedro, já vi que se deu bem com a nossa amiga Manuela.
-Como você sabe...
-Sim, senhor Vieira, desculpe o atraso. O trânsito de São Paulo está péssimo.
E mais uma vez não consegui terminar o que eu queria dizer, já que o Pedro resolveu fingir que eu não existo.
-Sem problemas - disse o ''Senhor Vieira'' para o garoto ao meu lado - não entendo como você tem coragem de sair com aquela BMW nesse caos...
Os dois começaram a discutir sobre carros! Estou desacreditada. Aliais, que diabos minha mãe me mandou fazer aqui? Eu vou ter uma conversa séria com a dona Marina quando chegar em casa.
-Alguém pode me explicar o porquê da minha mãe me mandar para cá?e como vocês sabem o meu nome? - Explodi de uma vez.
-Primeiro, Manuela, você gostaria de adoçante ou açúcar no seu chá?
-Eu não gosto de chá.
Vieira ficou com a chicará para ele e colocou algumas gotas de adoçante e entregou para o azedo/mal educado/lindo pra caramba: Pedro.
-Não tenho café.
-Não me importo, só me responda.
-Vamos por partes, você sabe o que é esse lugar minha jovem?
-Um prédio com escritórios?
-Na teoria sim. - Tomou um gole do seu chá e sentou no sofá da frente - Pedro, esse homem ao leu lado trabalha para mim há mais de 10 anos e ele foi encarregado e cuidar das... como eu posso dizer? Dos casos que você se encaixa.
10 anos trabalhando com ele?! Como assim? Se o Pedro tiver 22 é muito!
-Que casos seriam esses? - Respondi tentando esconder a minha surpresa pela idade do outro.
-Pedro, explique para ela por favor.
-Claro - Disse se virando na minha direção - Manuela, aqui na Instituição nós cuidados de pessoas que são ligadas à outras muito importantes.
-Vocês reparam que eu sou da Classe média? Eu tive que vir de ônibus para cá e nem tenho um Iphone!
Os dois riram da minha resposta ingênua e Pedro continuou.
-Aqui, o importante não é dinheiro e sim...

-♥-

Eu amo escrever. Enquanto alguns tocam, tiram fotos e fazem esportes eu escrevo. De tudo, mas não sobre todos. Eu tenho um caderno da Cícero que é a minha paixão, nele eu escrevo - novidade nessa altura do campeonato hahaha- e desenho. Hoje li todos os textos/crônicas/poemas/frases/versos que havia escrito e fiquei espantada ao perceber que havia esquecido de alguns, sendo um deles o que você o que eu coloquei acima. Espero que tenham gostado, e não estranhem o final, no meu caderno está do mesmo jeito. 

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1 comentários

@3VPS