Entrevista com Gisele Castro

31.8.13

Eu comecei á acompanhar a Fanfic da Gih -já me sinto íntima da autora - quando estava no capítulo 20 e, desde aquela época, eu deixei salvo nos meus favoritos para acompanhar as atualizações. Sou uma viciada em leitura, de qualquer tipo, e não largo a mão de algo quando eu realmente gosto. Gisele construiu um universo paralelo onde eu pude ser uma intercambista e viver muitas aventuras em Londres.



Gisele Castro - Uma garota que descobriu o seu dom e apostou nele



Gi Castro e autora de 500 Days in London a fanfic nacional mais conhecida da boyband inglesa One Direction, com mais de 1900 fãs na sua página do facebook ela estabelece uma ligação, quase de irmandade, com os seus fãs. Mesmo depois da sua última atualização da história, no dia 17/08, todos continuam firmes e fortes na página! O que mostra o quão fofa a autora é por não abandonar seus fãs.





Como você descobriu o ‘’Fanfic World’’ ?
Gisele Castro: Tudo começou em meados de 2008, se não me engano. Uma amiga minha me mandou uma fanfic interativa dos Jonas Brothers chamada “Our Dirty Little Secret” e eu achei aquilo fascinante. Quando eu vi que dava pra ler com o meu nome e o nome do Joe – que era meu favorito – achei demais e quis logo saber mais sobre fanfics.

 De onde veio a ideia de fazer uma fanfic e virar uma autora? 
Gisele Castro: Também em 2008, na época do orkut, eu estava conversando com algumas amigas sobre Jonas Brothers e essas histórias que costumávamos ler. Em um dia eu resolvi fazer um “imagine” (vamos chamar assim) para uma delas com o Nick Jonas. Então, ela se virou pra mim e perguntou “Por que você não faz uma história”? Foi daí que surgiu minha primeira fanfic chamada “Livin Our Dream” que, honestamente, é uma porcaria, rs. Eu não sabia nada de como escrever ou elaborar uma história, então era tudo muito bagunçado. Mas, aos poucos fui pegando o gosto pela coisa, e não parei mais.

500 Days in London é uma grande fic, referência em muitas comunidades quando o assunto é One Direction. Para você, se pudesse indicar a Fanfic que mudou a sua vida qual seria e por quê? 
Gisele Castro: Sábado a Noite, da Babi Dewet. Foi uma das primeiras fanfics que eu li quando entrei pra esse mundo, e amei logo de cara. SAN – como é conhecida entre os fãs – me trouxe mais pro mundo McFly, da leitura de fanfics, das autoras e dos sites. A Babi, além disso, é um exemplo pra mim, porque ela tiro SAN do universo virtual para as prateleiras, e é exatamente isso o que eu espero pra mim. Além de SAN, outras fanfics também me marcaram muito como Summertime (da Cah Sodré), Addicted, Biology e outras.

Passarinhos me contaram que uma adaptação do seu romance 500 Days in London para uma versão livro está chegando... Isso é verdade? Se sim, há uma chance de nós (fãs) vermos nas livrarias futuramente? 
Gisele Castro:Passarinhos fofoqueiros, isso sim, rs. O que eu mais quero é ter um livro de minha autoria em uma prateleira. Mesmo! Não sei se vai ser possível pegar a história original e transformá-la em um livro, está sendo mais fácil pegar a ideia da fanfic e jogar em uma história nova. Quero que dê certo, estou tentando ao máximo, modificando já algumas coisas, mexendo na fanfic. Podem começar a cruzar os dedos, por favor.

Como você lida com com os comentários? -Tanto ruins quanto bons. 
Gisele Castro: As leitoras são, na grande maioria, absurdamente agradáveis. É muito bom receber um comentário falando de como a fanfic mudou a vida dela, como ela se tornou uma pessoa ou fã melhor, ou “descobri minha vocação para fotografia”. Algumas foram tão lindas que eu já chorei, porque sei que aquelas palavras foram sinceras, e não é todo mundo que recebe tanto carinho assim de alguém que você nunca viu. Essas meninas que acompanharam a história até o final merecem todo o amor e respeito do mundo, porque elas são umas lindas e eu nunca vou consegui agradecer o suficiente. Com os comentários ruins, no começo foi bem complicado. Alguns me fizeram desistir de escrever, algumas pessoas não têm limites na hora da crítica/escrita e acham que podem falar tudo o que pensam, já que estão protegidas pelo anonimato. Acho que, sempre vai ter alguém apontando o dedo para alguma coisa que você faz, fica ao seu critério absorver aquilo ou não. Depois de muito tempo, eu decidi não absorver mais nada que aparecesse de ruim.

Quais são seus próximos projetos como Autora? 
Gisele Castro: No momento, meu único projeto e pegar a ideia principal da 500 Days in London e jogar em um livro. Com ela finalizada fica mais fácil trabalhar com a história, e eu tenho um tempo “livre” pra pensar nela com carinho. Fanfic não está nos meus planos, mas as vezes surge alguma ideia na minha cabeça e eu começo a colocar no papel. Vai saber o que pode aparecer por aí ...

Música tem tudo haver quando a história é fanfic ou livro, ajuda na criação do personagem e cena. Quais são as músicas que ao ouvi-las sua mão cossa para escrever alguma coisa? 
Gisele Castro: Pra quem leu a 500 days in London sabe muito bem que minha banda favorita é o Pearl Jam. Todas as músicas dessa banda cabem em uma história, porque eles são incríveis, e eu gosto de música que tenha uma poesia, uma história por trás que precisa ser contada. Com Pearl Jam as ideias fluem de forma fácil e gostosa, sempre que eu escrevia eu colocava alguma música deles pra tocar de fundo, e a inspiração sempre melhorava. Mas, além deles, eu ouço muito McFly pra brotar umas coisas mais engraças, Fall Out Boy (queria muito pegar a ideia de Thanks for the memories e colocar em uma fanfic), Panic at the disco, Paramore, Justin Timberlake, Jamie Campbell (ele cantando é tão gostoso, recomendo).


Sua família ou amigos sabem sobre a sua fama no mundo das Fanfics? Se sim, como eles reagem?
Gisele Castro: Meus pais sabem que eu publico histórias na internet, e, especialmente meu pai me dá muito apoio. Minha irmã é que sabe mesmo da existência das fanfics, da 500 Days in London e um pouco mais desse mundo. No começo ela ficou com o pé atrás, mas agora ela me apoia, inclusive me dá dicas na hora da escrita. Partiu dela a ideia final pra fanfic, que por sinal, foi muito bem aceita entre as leitoras. Amigos meus próximos, do meu mundo real não sabem, acho que tenho só uma amiga que uma vez perguntou “o que é uma fanfic?” que sabe que eu escrevo, mas nunca leu nada. Uma parte minha tem uma certa vergonha em ter alguém próximo lendo, mas isso um dia vai acontecer.

O que é mais difícil: Começar uma história ou termina-la? Por quê?
Gisele Castro: Terminar, com certeza. Quando eu começo a escrever algo, as ideias aparecem e fluem tranquilamente. No começo, eu acho que estou com tanta coisa na cabeça que escrever trinta ou cinquenta páginas é tranquilo; agora para concluí-las é sempre um processo complicado. Antes de escrever algo, eu sempre faço um “esqueleto” de quantos capítulos eu quero, qual a ideia principal e o que pode/vai acontecer com os personagens principais. Tento focar nessa proposta até o final, mas as vezes eu acabo mudando. Quando vai chegando na reta final me dá um frio na barriga por dois motivos: por concluir um projeto e por tentar fazer algo que agrade os leitores. Sempre dá aquela sensação de que eu podia ter terminado de outra forma ou dado outro fim aos principais. Mas, do final da 500 days in London eu adorei, a Gra (minha irmã) veio com a ideia pronta (sem nem ao menos ter lido a fanfic, só acompanhava as minhas ideias) e depois juntei o que ela me disse ao que eu já tinha pronto e, beleza.

Como você pode definir a Gisele Castro antes de 500 dias em Londres e a Gisele Castro depois de 500 dias em Londres?
Gisele Castro: Existia uma Gisele bem menos estressada antes da 500 Days in London (HAHA). Brincadeiras a parte, acho que com a fanfic eu tive certeza que é isso o que quero pra mim, escrever histórias. Quando eu a comecei, estava ainda estudando Direito e, comecei a história só pra me divertir, dar “asas pra minha imaginação”, e também porque na época não existia muita fanfic One Direction nos sites. Tudo mudou quando ela começou a crescer e eu comecei a receber críticas e cobranças, e comentários que me animavam. A história principal se baseava em um cyberbulling sofrido pela principal namorar um integrante de uma banda famosa. O pouco do cyberbulling que eu sofri me fez querer expor mais ainda esse assunto, esse sentimento horrível. Não é fácil abrir seu twitter e ver lá “eu espero que você morra, sua vadia”, receber ódio gratuito de alguém que você nunca viu e que se esconde por trás de um icon da “Demi Lovato” ou do “Harry Styles”. Isso me deixava pra baixo, mas eu ao mesmo tempo pensava em quantas outras meninas que passavam por isso todo dia, fosse no twitter, na escola, no facebook. Dividir essa experiência, conversar com quem passa ou passou por isso, ver que elas se emocionavam com o que eu escrevia me fez seguir em frente e não desistir. Assim como eu recebo comentários dizendo que a fanfic mudou a vida delas, eu posso dizer o mesmo. 500 Days in London me mudou, e muito. Agora, sou muito mais confiante com a minha escrita – graças ao grande apoio das leitoras, que nunca me deixaram desistir – e sou confiante comigo mesma. Se sobrevivi um ano e meio com ameaças de gente que nem conhecia, acho que consigo superar “quase” tudo. A Gisele “pós 500 Days in London” é alguém bem realizada e muito mais feliz, e eternamente agradecida por ter leitoras tão lindas ao meu lado. Eternamente, obrigada a cada uma de vocês.




Fico muito feliz de ter conseguido essa entrevista com a Gi, e poder conhecer um pouco mais esse seu lado Autora. Desejo todo o sucesso do mundo para essa garota e que um livro autografado por ela venha logo parar na minha estante! 

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@3VPS